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A história começa quando o personagem toma consciência de uma noção de existência e nunca mais consegue adequar-se a nenhuma ideia prévia de realidade. As suas falhadas tentativas de, ora se integrar na realidade, ora escapar a esta, exime-o de sentir com esta qualquer verdadeiro compromisso. Deste modo, toda a sua existência será justificada pela precariedade da sua ligação ao real que vem paradoxalmente definir de um modo dramático a sua identidade. Ele vê-se perante a impossibilidade de relação com uma realidade pré-existente (que não o considerou quando da sua construção).

“Em Às Origens da Crise a inquietação e o auto-questionamento juntam-se num redemoinho esquizofrénico de uma mente sempre em busca de uma identidade. Não temos nenhuma confirmação da identidade terrena do corpo que carrega um grupo de personas disfuncionais e a realidade é apenas uma ameaçadora recordação da profundidade da sua psicose.

O texto é falado com mudanças de voz, de sotaque ou mesmo da própria língua. A personagem em questão é um homem, a interprete é uma mulher. Tanto um género como o outro não encontram em palco a sua validação. Ao longo do espectáculo a interprete arrasta-nos através de angustiantes reviravoltas, momentos cómicos e jogos de palavras numa lúdica e rítmica disputa entre o seu repertório de personagens. “                                                                                                                         Asaf Kolliner

CONCEPÇÃO|INTERPRETAÇÃO Lígia Soares TEXTO Lígia Soares e Thierry Decottignies EDIÇÃO VIDEO Andresa Soares ACTOR VÍDEO Giancarlo Pia-Mangione VOZ OFF Lígia Soares, Thierry Decottignies e Rita Só LUZ Pedro Machado PRODUÇÃO Máquina Agradável

APOIOS Fundação Calouste Gulbenkian, TanzFabrik-Berlin, Instituto Franco-Português, GDA-Gestão dos Direitos do Artista